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Este ano meus pais completam 32 anos de casados e 38 de namoro. Ao longo dos meus 26 anos, vi os dois passarem por diversas fases. Vi amores, desamores, brigas, os vi sem se falarem, de cara feia um pro outro, os vi fazerem as pazes, trocar confidencias, risadas, beijos de boa noite e beijos de bom dia. Semana passada, ao dar o beijo de boa noite, os ouvi dizendo “te amo”.
O segredo? Mainha sempre diz que só amor não basta para manter uma relação. É preciso compreensão, carinho, respeito, cumplicidade e paciência, muita paciência.
Ao mesmo tempo ela emenda, dizendo que quando existe amor, isso tudo vem no pacote, porque é este sentimento que faz as pessoas superarem muita coisa para, no final, continuarem juntas, se fazendo felizes. Afinal, este é o único objetivo de se estar com outra pessoa: a felicidade.
Nos últimos tempos vi muitos casais jovens se separando, vi, cada vez mais, amigos fazerem parte das estatísticas dos filhos com pais separados, vi casais se declarando apaixonados e dizendo ‘eu te amo’ como se dissesse bom dia. Será que é a banalização do amor?
Que sentimento é este? Quando é que você sabe que ama uma pessoa?
Será que é quando você acorda e pensa no sorriso da outra pessoa e aquilo te dar uma sensação de bem-estar e felicidade jamais vista? Será que é quando se acolhe nos braços dela e vê que o mundo pode acabar naquele momento que você estará protegida e feliz? Será que é quando o peito dói e a respiração para porque você deseja só ouvir a voz daquela pessoa e não pode? Será que é quando você imagina seus netos correndo pelo meio da casa e ao olhar de lado é ela quem está segurando sua mão?
Amor é querer bem, é querer muito, é querer mais, é querer sempre. Amor é brilho singelo no olhar, é calmaria, é paz. Não tem nada a ver com borboletas de debatendo no seu estômago, nem o suor frio do nervoso, nem com ansiedade, nem tão pouco com vontade sexual. Isso é paixão, é desejo.
O amor é uma plantinha que preciso de tudo isso que foi citado para alimentar-se, para crescer forte, solidificar-se. Mas quando a tempestade passa, é ele, o amor, que traz a calmaria, o acalento, o abraço bom, o sorriso disperso.
E quando é que a gente deixa de amar? COMO?
Ontem, ao receber a noticia de mais uma separação, de duas pessoas muito especiais, um filme passou pela minha cabeça. O inicio daquela relação (a qual eu vi de muito perto, acompanhei...), o bem-querer deles, o brilho nos olhos, a cumplicidade, o respeito, a paz, o fruto, o crescimento, a felicidade...
Quando questionei o motivo do rompimento, ouvi a seguinte frase: o amor acabou.
Fiquei muda. Sei o que é isso. Se de um lado o amor se vai, do outro parece que cresce. Não tive o que dizer, apenas que o tempo iria ajudar a curar aquela dor, e que mais cedo ou mais tarde, aquele amor não iria nem diminuir nem sumir, mas que iríamos nos acostumar com a ausência.
Amor para uma vida inteira. Será que isso ainda existe em alguma parte do mundo? Será que vou crescer percebendo que o amor que vejo todos os dias nos olhos dos meus pais é um sonho, algo imaginário que ficou no passado? Será que eu dizer que quero achar a MINHA pessoa, àquela que vou amar até ficar velhinha, é coisa ingênua de uma pisciana romântica?
Será que terei que ensinar aos meus filhos que “nada é para sempre”?
E ao olhar fotos, relembrar momentos tão felizes, ao relembrar da paz que sentiámos naquele abraço de chegada e despedida, você se pergunta mais uma vez: quando o amor acabou?